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Berlim: histórica e intensa

  • Foto do escritor: axis
    axis
  • 15 de fev. de 2023
  • 6 min de leitura


Engenheiro aposentado, Durval Mello escolheu a capital da Alemanha como sua nova casa. Em Berlim desde abril de 2016, ele já havia conhecido a cidade em outras três oportunidades: duas como turista e a última por um período de três meses, um ano antes de se mudar em definitivo. Durval compartilhou ao blog da axis travel & business sua vasta experiência e visão sobre Berlim. Confira já!


1. O que levou você a escolher esse destino?

Nas duas primeiras viagens, em 1996 e 2009, vim pela história que via em filmes, a intrigante cidade que foi dividida no período de 1961 a 1989 e que desde a Segunda Guerra estava encravada como uma ilha, no meio da Alemanha Oriental. Porém, desde a primeira vinda e até hoje, Berlim não deixa de me surpreender.


É um lugar para ficar um tempo, para poder descobrir todas as nuances e diversidade. A história, claro, é o que mais intriga, mas também é uma metrópole de vida cultural intensa, ao mesmo tempo que é quieta, por causa da educação dos alemães, pela sua geografia plana, ampla, pouco densa e com muito verde.


2. Quais pontos turísticos você conheceu?

Acho que todos (risos). São alguns anos já. Claro, tem aqueles ícones que gostamos de fazer um selfie para nossa coleção de viagens. O Portão de Brandemburgo é o mais icônico por causa das imagens que conhecemos dos filmes sobre o Nazismo. Mas Berlin tem vários centros pela forma que foi se desenvolvendo com a anexação de outras cidades vizinhas. Por isso tem vários prédios de prefeitura, as Rathaus, em alemão.


Eu gosto muito dos museus e galerias. Vários deles ficam mais ou menos próximos, no que chamam de Museum Insel, ilha dos museus. Eles são muitos. Meu museu preferido é o Alte Nationalgalerie. Se você é aficionado por museus, tem um dia do verão que acontece a Lange Nacht der Museen Berlin, a Longa Noite dos Museus, na qual você pode passar a noite toda visitando museus com apenas um ticket (com transporte de ônibus que liga todos eles incluso). É uma festa!

Registro de Durval no Portão de Brandemburgo (Foto: Acervo pessoal/Durval Mello)

A minha galeria preferida é a Neue Nationalgalerie, um museu para amantes da arte moderna do século 20, criada por Ludwig Mies van der Rohe. Mas tem museus espetaculares e outros menores para todos os gostos e curiosidades. Também gostei daquele que mostram como era a vida na Berlin Oriental. Tem o DDR Museum e até um curioso, que é o Werkbundarchiv – Museum der Dinge (Museu das Coisas).


Enfim, é um mundo. Se são poucos dias de viagem, escolha antes quais quer visitar. Uma dica é que todo primeiro domingo do mês os museus são de graça. Mas é bom reservar com antecedência na alta temporada.

Registro de Durval no Alter Museum e no Palácio de Bellevue, respectivamente (Fotos: Acervo pessoal/Durval Mello)


E temos as óperas! Sim, óperas no plural. De novo, como a cidade foi dividida, temos três óperas: a Deutsche Oper Berlin, no lado oeste da cidade, e as Staatsoper Berlin e Komische Oper Berlin, com montagens modernas das óperas clássicas. Também são várias casas de concerto, a Konzerthaus em Gendarmenmarkt, ladeada pelas igrejas Deutscher Dom e Französischer Dom. Linda praça com as três construções.


Tem a Philharmonie Berlin, que inclusive oferece concertos no foyer às terças na hora do almoço. E há consertos espalhados em muitas outras salas e igrejas. Berlim é uma cidade que tem palácios, como o Charlottenburg e muitos outros. Uma esticada até a cidade vizinha Potsdam também vale a pena.


Sobre pontos turísticos, para quem tem pouco tempo, pode tomar os ônibus 100 e/ou 200. Utilizando um ticket regular (que vale por duas horas ou um de dia inteiro) lhe é permitido descer e subir durante 24h, conhecendo os principais pontos turísticos. Se for verão recomendo muito conhecer Berlim de bicicleta, há ciclovias por toda a cidade.

(Foto: Acervo pessoal/Durval Mello)

3. Quais aspectos culturais, como gastronomia, hábitos e eventos, você teve a oportunidade de conhecer e experimentar?

Já falei um pouco da cultural anteriormente. Tem ainda a arquitetura. Os exemplos de arquitetura brutalista, arquitetura moderna do pós-guerra, como muitas igrejas, a citar a St Agnes, que abriga uma galeria. Há também os bunkers, os abrigos antiaéreos da guerra, que se tornaram galerias, a citar o Sammlung Boros, que tem coleções de arte contemporânea que você só pode visitar em tours organizados de 12 pessoas. Precisa reservar com muita antecedência.


Ou também o The Feuerle Collection. Esses locais são monumentos tombados, em alemão, denkmal. E existe, a exemplo da Longa Noite dos Museus, o Deutsche Stiftung Denkmalschutz e o Tag des offenen Denkmals (dia dos monumentos abertos), que em 2023 acontece em 10 de setembro. É a oportunidade de visitar muitos locais tombados que oferecem os eventos especiais e visitas organizadas. Vale muito!


A gastronomia alemã não é das minhas preferidas. Se estiver disposto a desembolsar um certo dinheiro para experimentar alguns restaurantes estrelados, terá uma experiência maior que simplesmente o ato de comer. Aqui eu citaria o diferente Nobelhart-Schmutzig. Há também o CODA Dessert Dinning, só de sobremesas, incrível.


A comida acessível é a asiática, as salsichas e o Döner, invenção dos turcos com aquelas carnes que ficam girando. Eu não como, mas muitos gostam. Além disso, no dia a dia, vai encontrar inúmeros restaurantes veganos com seus bowls variados. A dica é ficar ligado no Morgenpost Menu, uma promoção do jornal Berliner Morgen Post, oferecendo a oportunidade de visitar restaurantes caros com menus mais acessíveis.

(Foto: Acervo pessoal/Durval Mello)

4. O que mais chamou sua atenção ao longo do período no local? É um lugar acolhedor? Qual foi a sua melhor experiência no local?

Berlim é a cidade mais diversa e tolerante que conheço. Há coisas para todos os gostos, dos mais comuns aos mais exóticos. Há bons hotéis, excelente transporte público, é segura, silenciosa e não é densa, portanto muito confortável. Nos bairros fora dos centros, a luz amarela e fraca dá um ar romântico, às vezes até bucólico.


Têm bairros mais jovens e alternativos, como Kreuzberg, e outros mais tradicionais, como Schoneberg ou Charlottenburg. Um conforto muito grande é a quantidade de áreas verdes, parques, floresta, rios, lagos, que oferecem espaço para passeios, caminhada, esportes ou simplesmente um piquenique. Os lagos são as nossas praias.

(Foto: Acervo pessoal/Durval Mello)

5. O que uma pessoa que está indo pela primeira vez não pode deixar de conhecer/fazer?

Essa é uma pergunta muito difícil de responder porque dependerá dos seus interesses. Pode ser que para alguns seja se enfiar num Klub Techno na sexta-feira e sair apenas na segunda. Sim, os DJs tocam sem parar até segunda pela manhã. E você pode sair, ir para casa dormir um pouco, tomar um café e voltar ao meio-dia, a fila estará enorme ainda.


Ou você pode ser um apaixonado por cinemas. Em Berlim há incríveis, grandes e monumentais, pequenos e alternativos, com um bar ou café. Aqui se bebe cerveja, vinho, entre outros, durante o filme. Mas se você tiver apenas um ou dois dias, utilize os ônibus 100 e 200 que dará uma boa ideia da cidade. Ah, coma rapidinho uma bratwurst (salsicha de origem alemã).


Agora, se você é apaixonado por futebol e no único dia que você tem na cidade há um jogo do Erste FC Union Berlin, no Stadion An der Alten Försterei, eu iria lá. Como tudo aqui tem o lado do Leste e do Oeste, esse é o time da Berlim Oriental, e é o clube com melhor vibe. Para seus fãs vale mais a diversão do que o resultado. Agora estão na primeira divisão e ocupam até o momento o segundo lugar, depois do famoso Bayern de Munique.


É incrível para um clube que ficou anos na segunda divisão. E se você quiser saber mais sobre eles, leia o livro de Kit Holden, "Scheisse! We're going up!". Essa frase estava escrita em um cartaz na plateia quando começaram a subir e tinham medo de perder a diversão e humor (Stimmung). O hino é cantado por Nina Hagen. O estádio fica em Köpenick no meio da floresta e é diversão garantida.


Observação: Nos tempos da terceira divisão tinha o adversário Dínamo, que era o time da polícia Stasi, e o Union, o time dos rebeldes.

Durval em meio à torcida do Union Berlin (Foto: Acervo pessoal/Durval Mello)

6. Se alguém pergunta se vale a pena viajar para Berlim, o que você responderia?

Vale muito. E, se tiver tempo para entender e descobrir Berlim, você será outra pessoa depois dessa viagem. Antes de vir tente ler um livrinho que se chama "Pocket Guide to Germany", de Sven Felix Kellerhoff. Trata-se de um manual escrito para os soldados da força aliada americana em 1944.

 
 
 

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